Valter hugo mãe - A máquina de fazer espanhóis,


“Com a morte também o amor devia acabar. Acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutria pela pessoa que deixou de existir. Pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. E não é compreensível que assim a aconteça. Com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. Esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder….”

Valter hugo mãe in a máquina de fazer espanhóis,  pp28.