Belo, simples
comovente...
"Tanto
mar, em vez do nos separar, nos uniu. Em 141 dias de ausência, do início ao
fim, o Paratii fez a sua volta e retornou a Jurumirim. A Terra é mesmo redonda.
Ao longo do caminho, pensando bem, nem vento, nem ondas, nem gelo tão ruins
porque no fim nada impediu o meu veleiro de voltar inteiro à sua baía. E nada
foi melhor do que voltar pra descobrir, abraçando as três, que o mar da nossa
casa não tem mesmo fim.
Pior
do que passar frio subindo e descendo ondas ao sul do oceano Índico seria não
ter chegado até aqui. Ou nunca ter deixado as águas quentes e confortáveis de
Paraty. Mesmo que fosse apenas para descobrir o quanto elas eram quentes e
confortáveis. Eu senti um estranho bem-estar ao contornar gelos tão longe de
casa.
Hoje
entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de
histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés,
para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e
dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a
distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa
viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz
ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é; que nos faz professores
e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir
ver”.
Amyr
Klink in Mar sem fim.
Outra boa leitura para férias.
