Tu, Meu - Erri de Luca


O livro fala do tal Verão, onde os meninos passam a homens. Um livro que nos remete ao nosso Verão especial, onde a vida se transforma para sempre numa vida de adulto. É impossível não regressarmos às nossas próprias memórias. É a primeira vez que leio este autor e fiquei fascinada desde a primeira página. A sua escrita é poética, envolvente e, ao mesmo tempo, leve. Lê-se de um folego só.

Depois de ler o livro fui pesquisar sobre o autor e fiquei a saber que é um dos mais conceituados escritores italianos e qua apenas publicou o seu primeiro livro aos 40 anos!

"Colhemos do mar aquilo que nos oferece, não é o que queremos. As nossas redes, aparelhos de anzóis, covos são um pedido. A resposta não depende de nós, dos pescadores. Os que vão lá abaixo buscar a resposta pelas suas próprias mãos, estão a ser arrogantes com o mar. A nós cabe-nos apenas a superfície, o que fica abaixo é coisa dele, vida dele. Atemos à entrada, à tona da água, não devemos entrar em casa dele feitos patrões...”
pp16

“O corpo é um animal paciente, os homens domesticavam-no com orgulho...” pp25

“...a sombra esvai-se, mas o nome não. E de tal modo quer ser parte de uma pessoa que pretende explicá-la, anunciá-la: “sou” e segue-se o nome. Como se fosse possível ser-se um nome, em vez de ter um nome...”pp 27

 “O seu amor próprio não admitia que se pudesse estar pouco apaixonado, apenas uma noite ou outra...”pp29

“…nada, há nadas que nunca mais nos largam. Cada vez que ouço dizer a palavra nada, sinto que não é uma palavra verdadeira, que não a sabe dizer. Não sabem o que é o nada...”pp42

“Começou por me dizer que esperar respostas dos outros é como calçar sapatos alheios, que as respostas devemos achá-los nós próprios, à nossa medida...”pp59-60

“Meu tio dizia que os inimigos eram muito incómodos, exigiam demasiada atenção e sentimentos. Deixava aos outros todo o esforço de ser inimigo, de trazer no corpo a canseira do ódio...”pp63

“Eramos o inimigo de uma gente que nunca nos tinha feio mal e nós estávamos armados a ocupar a terra deles. Eramos aliados dos alemães contra aquele povo e era um erro estarmos ali. Dava-me nojo, sentia vergonha de andar em guerra com aquela gente, Quando acabou e ficámos derrotados passou-me também a vergonha..." pp91

É uma excelente leitura para levar de férias.