A minha experiência no Kruger Park - África do Sul



Esta foi sem dúvida uma das viagens da minha vida. Foi uma daquelas experiências em que sentes que não voltas a ser a mesma pessoa.

Apesar de algumas peripécias pelas quais passei logo à chegada ao Parque, e tenho que dizer que nas primeiras 15horas, pensei mil vezes que me tinha arrependido de ter trocado umas férias de sonho, em qualquer outro lugar, para estar ali, actualmente tenho esta experiência de viagem no meu TOP 5!

A chegada foi atribulada, perto da hora de fecho do campo (encerra às 17h e há multa para quem não der entrada atempadamente). Tivemos um elefante em direcção a nós logo nos primeiros 20 minutos de viagem, o que nos obrigou a uma marcha atrás, e devo dizer que nessa altura senti medo, pois aqueles não são os elefantes do Zoo nem do circo (felizmente).

Depois a dificuldade em encontrar o nosso bangalow (que por lapso tinha sido atribuído a outra pessoa, a chuva de carochas que levei ao sair do carro debaixo de uma árvore ao entardecer, o morcego a sobrevoar a nossa cabeça durante a noite, as doenças tropicais, o não termos percebido que tínhamos que levar todo o material como se fossemos fazer campismo (não tínhamos nem um prato, nem um talher nem comida suficiente)! Valeu-nos a simpatia da funcionária que nos resolveu a questão do bangalow e nos emprestou material pessoal para nos desenrascarmos até ao dia seguinte...Tudo isto agora me faz rir cada vez que me lembro...

Durante a primeira manhã andei doente e não parava de pensar que aquilo era radical de mais para mim, e que talvez eu até ali não tivesse percebido que viagens de aventura (ao contrário do que eu julgava) não eram o meu forte.

Mas no segundo dia, quando melhorei e começámos a perceber o esquema e a apreciar a paisagem, a ver os animais a interagir com os outros visitantes e a receber dicas, cada dia passou a ser maravilhoso, cheio de tranquilidade e de paz. As paisagens são de tirar o folego, o silêncio, os animais lindos como eu não pensei existirem. A noite em África chega repentinamente, é súbita. Também é verdade que o céu de Africa é lindo de tanto estrelado...Só me ocorre a palavra inventada do Mia Couto: cheio de "estrelinhações"...


Ir ao Kruger e não ver o BIG FIVE, que é como quem diz os 5 grandes mamíferos de África mais difíceis de serem caçados pelo Homem a pé, é como ir a Roma e não ver o Papa...


O Leão, O elefante o Búfalo Africano, o Leopardo e o Rinoceronte são os Senhores da Selva,

O objectivo inicial era ficar em dois campos, mas depois de falarmos com uma família Sul-africana habitue do Kruger resolvemos cancelar a nossa estada no Olifantes e ir para o campo recomendado (Lower Sabi). Disseram-nos que devíamos fazer a estrada tal e tal (que não me lembro qual é) e se não víssemos os "BIG FIVE" lá, é porque éramos mesmo azarados! Seguimos o conselho e o resultado foi melhor que o esperado! Vimos todos, de perto e ainda tivemos o bónus de ver uma família de chitas (o animal em menor quantidade no Kruger)! Foi maravilhoso! Lembro-me de ter o coração aos pulos. O Leão só vi na madrugada do último dia, quando estava quase sem esperança, e depois de uma boa hora de espera.

 É engraçado, vamo-nos cruzando com outros carros e vamos trocando informações do tipo vi um Leopardo para aqueles lados.

Nesta viagem descobri que tenho pânico de Elefantes! Sim, depois de estar tranquilamente no jipe a analisar os mapas e quando olho para o lado tenho um elefante a soprar-me ao ouvido (como atestam as fotos que conseguimos tirar depois de fugir, sendo que a tremedeira nas fotos não é mera coincidência!).

Foi o momento de maior terror na minha vida! Juro! Gritei, gritei, gritei a plenos pulmões. Nem eu sabia que tinha aquela capacidade toda! Hoje posso-me rir, mas na altura pensei que ia morrer de susto.

Apesar destas peripécias, o importante é que eu adorei a viagem e espero poder voltar.

Agora uma coisa é certa, quem tem medo de uma formiga ou de uma mosca é melhor ficar em casa, porque fazer um Safari implica estar em contacto (próximo com a natureza que inclui todos os bichinhos e mais alguns) e madrugadas para aproveitar o dia.

Foi ainda possível ver uma exposição que o Kruger estava a exibir sobre a caça furtiva, a forma como é praticada e as atrocidades que são cometidas...Ainda hoje tenho as imagens na cabeça.

Visitei também outros campos e admirei a coragem de alguns campistas, que ficam em tendas dentro de pequenas zonas vedadas com um pouco de arame e nada mais...Aquilo é que é coragem!!